Friday, 2 November 2007

Entre o passado e o futuro by Hannah Arendt (Between past and future: eight exercises in political thought, 1954)


Este é o livro ideal para iniciarmos a leitura de Arendt, segundo o autor da introdução, pois contém todo o temário de sua obra e pensamento. O livro analisa a crise do mundo contemporâneo mais como uma crise política do que econômica. Deve-se ficar atento ao fato de que o livro foi escrito em 1954 nos EUA. No entanto, o livro não está ultrapassado. Muitos dos conceitos de Arendt discute e que estão se formando nesta época trazem conseqüências para os dias atuais, especialmente quando trata da questão da educação. O capítulo sobre autoridade é fundamental para a discussão da crise da educação. Hannah fundamenta historicamente a co-dependência entre a autoridade, a tradição e a religião e afirma que a crise da educação tem estreita conexão com a crise da tradição e de nossa atitude face ao passado (p.243), uma vez que a educação não pode abrir mão da autoridade (conforme redefinida pela autora que exclui a força e a argumentação) e da tradição, mas está situada em um mundo que não se estrutura nem na autoridade nem na tradição. É muito fácil ensinar sem educar, mas é isso que deve ser feito? O texto não é uma leitura fácil e ler os comentadores nos ajuda a compreender melhor. No entanto, é uma ótima leitura. Hannah Arendt (1906-1975) nasceu em uma família rica judia. Foi uma teórica política alemã. Foi aluna de Heidegger e Jaspers e fez sua tese de doutoramento sobre o amor em Santo Agostinho. Foi perseguida pelo Nazismo e se refugiou em Paris onde se tornou amiga da W. Benjamin. Foi novamente perseguida e, em 1941, se refugiou nos Estados Unidos onde lecionou na Univ. De Chicago. Escreveu sobre política, autoridade, totalitarismo, educação, a condição da mulher, entre outros temas.

A Identidade Cultural na Pós Modernidade by Stuart Hall ( The question of Cultural Identity, 1992)


Novas identidades estão surgindo e as velhas identidades estão em declínio, fragmentando o indivíduo moderno que se encontra hoje em uma “crise de identidade”. Este é o argumento com o qual Hall inicia este livro. O autor explora questões sobre identidade cultural definindo os acontecimentos, sua forma e suas conseqüências. Hall, Harvey, Eagleton e Bauman devem ser lidos simultaneamente, pois debatem questões simulares, se complementam e debatem entre si. Hall discute o descentramento do sujeito tanto de seu lugar no mundo social e cultural quanto de si mesmo. Antes de iniciar o debate, o autor faz uma distinção simplificada, porém importante: a concepção de sujeito do iluminismo, ou seja, o sujeito centrado; o sujeito sociológico, ou seja, interativo e modificado socialmente com os mundos culturais exteriores (interacionismo simbólico de Mead); e o sujeito pós-moderno, cuja identidade é definida historicamente, é móvel e transformada pelos sistemas e pode ser inclusive contraditória. A globalização é uma das responsáveis por esta fragmentação do sujeito, pois produz uma variedade de possibilidades de identificações, tornando as identidades mais políticas e posicionais, ao mesmo tempo em que cria grupos que tentam recuperar tradições puras do passado, o que por sua vez significa afastar o outro. Apesas de suas 100 páginas o livro é extremamente denso e cheios de conceitos e discussões.

A idéia de Cultura by Terry Eagleton (The idea of Culture 2000)


Um livro muito interessante. O autor trás os diversos significados e conceitos que a Cultura adquiriu e continua a adquirir ao longo da história. Com este livro, o autor busca conceitos que não sejam rígidos nem demasiados amplos. Cita diversos autores como Marx, Wittgenstein, Schiller e Freud, entre outros e aborda assuntos como choques culturais, cultura de massa, apropriação indevida da cultura e identidade. Preocupa-se com a transição do significado de cultura do consenso para o conflito. Para Eagleton “A Cultura é em si mesma o espírito da humanidade individualizando-se em obras específicas; e o seu discurso liga o individual e o universal, o âmago do eu e a verdade da humanidade, sem a mediação do historicamente particular”, ou seja, sem a apropriação do acidental e do particular (cultura com letra minúscula), e sim focando o indivíduo, essência e espírito, desta forma, ela permite o estabelecimento do Estado Moderno.

Confession of a Shopaholic and Shopaholic ties the knot by Sophie Kinsella (2001, 2004)






I decided to write about these two books together. The books are quite similar, with the same character Becky Bloomwood, but in different situations. Kinsella has a very good imagination. The character created by Sophie Kinsella is quite funny. She has financial problems in all the books but she ends up handling them all in one way or another. It is a book to read when you want to have fun and relax and not watching TV. I read two before reading the Confessions, which is the first one where the author introduces the characters, but it makes no difference.

O pequeno nicolau by Goscinny e Sempe (1956)


O Pequeno Nicolau é um livro muito agradável de ler. O pequeno Nicolau, cujo original françês se chama Le Petit Nicolas é uma série de livros infantis humorísticos, escrita por René Goscinny (o mesmo de Asterix) e ilustrada por Jean-Jacques Sempé, publicada entre 1956 e 1964. Hoje o título serve de apelido para o presidente francês. Este livro em particular fala das aventuras do Nicolau, um garotinho que faz tudo que um garotinho faz, ou seja, arte. Ele sabe que algumas coisas que tem vontade de fazer não vão agradar seus pais, mas ainda não sabe controlar seus impulsos e faz mesmo assim. Não compreende a reação dos adultos e às vezes fica muito surpreso quando é repreendido. O livro é muito bom para lembrar que o entendimento das crianças ainda é muito diferente do dos adultos. O livro é dividido em capítulos e não precisa ser lido em seqüência.

Pedro Paramo by Juan Rulfo (1955)


O autor mexicano escreveu este romance em 1955 e faleceu em 1986. Trata-se de uma história ambientada no interior rural do México onde o personagem principal retorna em busca de sua história. Segundo comentadores de sua obra, Rulfo traz em seus romances um universo simbólico e afetivo, com sonhos e imaginário. Nesta obra há personagens vivos e mortos que dialógam entre si sem distinção. Há pouca comunicação entre os personagens, pois aparentemente entramos diante de um povo rude. No entanto, nos poucos diálogos existentes, transparece os sentimentos intensos dos personagens e o medo da solidão. O autor descreve uma realidade social triste e esquecida. É poetico e metafórico como a maioria dos comentadores dizem, e talvez por isso, nao seja uma leitura fácil nem agradável. Talvez seja uma leitura necessária.